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Mensagem do Presidente de Câmara

Mensagem do Convidado

Lenda de Deu–La–Deu Martins

E foi num desses momentos de desespero que, lúcida, Deu-la-Deu mandou recolher a pouca farinha que ainda existia na vila e com ela fazer alguns pães. Os olhos famintos e desorbitados dos habitantes chisparam de ténue mas selvagem alegria.O pão, o último naco! Depois a morte, mas que interessa isso se ela nos espera na mesma e nós estamos fartos de a esperar!

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Mensagem do Presidente de Câmara


Encanto Quase Terapêutico


A vila de Monção, localizada no noroeste peninsular, com uma extensão de 206 quilómetros quadrados e 33 freguesias, possui diversos atractivos que “obrigam” a uma visita demorada e enriquecedora.

Temos um património natural e construído singular, um balneário termal que articula a terapia com o lazer, uma gastronomia tradicional que atravessou gerações de cozinheiras e um vinho, de seu nome Alvarinho, que fica bem em qualquer mesa do mundo.

As muralhas fernandinas oferecem paisagens deslumbrantes. As ruelas asseadas e com varandas coloridas, deixam no ar um aroma inesquecível. As pessoas são simpáticas e empreendedoras, à semelhança de Deu-la-Deu Martins, a nossa heroína que salvou o burgo distribuindo pão aos castelhanos.

Os nossos lugares de montanha assemelham-se a imensos e belos jardins recortados pelo serpentear tranquilo dos rios Gadanha e Mouro. Estes, que lambem vales profundos e generosos e correm para o “Pai Minho”. Prodígios da natureza reconvertidos em espaços edílicos que deixam recordações.

Monção é um recanto do noroeste português que guarda importantes pedaços da história. Com lugares para passear, regalar os olhos e beber Alvarinho. Aqui respira-se uma placidez quase terapêutica que enriquece o espírito e tranquiliza a alma.

Mais que as palavras, valem as imagens e o contacto com as pessoas. Por isso, deixo um convite para que venha a Monção e conheça a terra de Deu-la-Deu, Alvarinho e Termas. Nós saberemos recebê-lo. De tal forma que, quando regressar à sua terra, Monção passará a estar mais perto do seu coração.

José Emílio Moreira
Presidente da Câmara Municipal

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Mensagem do Convidado

Para Monção,


Disse o grande pedagogo João dos Santos que o segredo do homem é a sua própria infância.
Lembro-me deste segredo ao evocar Monção. É um dos segredos de ser menino, entre tantos.
Há terras (tantas!) que me trazem outros segredos, verdades, mistérios.

Com o andar dos anos tive a felicidade de conhecer melhor Portugal, o meu olhar ter a consciência de que é um espelho que aprendeu a tornar-se mais liso e, ao mesmo tempo, mais profundo. Aprendeu a receber a beleza , e tudo quanto a agride, com amor e crítica: sem perder totalmente o espanto da descoberta do olhar menino.
Cantou o poeta Afonso Duarte: “posso lá morrer, terra florida ! “. Com humildade, perante a pureza da sua poesia, digo o mesmo.

Digo-o convencida, embora saiba ( como o poeta sabia ) que a vida tem um tempo de viagem; convencida, porque creio na eternidade humana do nosso olhar perante o belo. E perante os outros. Todos os outros.
A comoção vivida este ano, quando cheguei a Monção, no rasgar da Primavera, foi profunda.
Muitas férias da minha infância tinham sido passadas na aldeia onde nasceu o meu pai, em Abeção, freguesia de Barbeita. Há longos anos.
Galiza, terra de meu avô materno, ficava em frente, para lá do rio, como uma miragem.
Foram tempos curtos de férias, tempos de Verão.

Conheci aqueles campos, aquele rio tão verde e fundo, aqueles campos que eram azuis ao entardecer.
As cores dos campos, dos sóis vários que, mais tarde, pude ler nas telas de Sarah Afonso, de Sónia Delauray.
Conheci Monção, a varanda lírica dos Néris, a lenda mágica da Coca, a bravura doméstica e desesperada de uma mulher-Deu-La-Deu Martins.

Histórias que não esquecia – Era uma vez...

Depois, ao longo da vida, na juventude a madurez até à velhice, também me coube o mesmo tempo de Verão para reconhecer o Minho. Tempo de férias, tempo do esplendor das vinhas já a sangrar para as dornas.

Tempos de emigração, de dureza de ausências, de crianças carentes de olhar tímido de espanto, tempos que eu lia, fui lendo longos anos.
E o “segredo” da infância surgia, indefinido, e eu olhando e querendo entender.
Anos depois, era a visita dos emigrantes, trazidos pela saudade da terra – terra é íman que em nós reside, escultor escondido que nos modela o rosto, as mãos, nos fecunda o olhar.
Mas eu falei, linhas atrás, da minha alegria comovida, prenda bem guardada da visita a Monção acontecida na Primavera.

Primavera é nascer. Mesmo com a nossa velhice.
Como aqueles campos do Minho tinham a verdura inquieta e mansa desse nascer, as flores rasteiras eram milagrinho de cor, humildade em chão de afectos.
E, nessa moldura da natureza tão bela Monção surgiu-me como uma realidade nova, enriquecida culturalmente sem perder o seu caracter – gravidade e leveza em sagrada aliança.
No calor da amizade única, generosa, com que fui recebida ( que palavras de gratidão saberei dizer a todos? ) pude ver uma casa de cultura exemplar na sua história e no seu presente, uma escola verdadeiramente escola, uma biblioteca em vias de acabamento que será um hino à leitura – com livros e outros meios que servem os tempos de hoje.

Nessa biblioteca, os seus frequentadores poderão ler livros, dispor das novas tecnologias, e olhar em redor uma paisagem de encantamento que vai até às terras Galegas.
João Verde, se pudesse aqui chegar (e quem sabe ?) diria outra vez que “a Galiza mai´lo Minho são como dois namorados “. E ele sabia que a cultura liberta o amor. E iria cantar estas novas “ do meu amor”, “do meu amigo” às terras mansas de Rosalia.

Com licença para casar.

Matilde Rosa Araújo
Escritora

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